12 Outubro - Dia das Crianças

Nos últimos tempos tenho mestrado RPG em eventos com mais frequências, ainda mais porque cada vez mais tem aparecido aqui no Rio de Janeiro eventos voltados para o público nerd, geek e gamer, com áreas especificas para as crianças, e assim tenho tido a oportunidade de apresentar o jogo para esse público, e tem sido uma experiência maravilhosa.

Algo comum que sempre ouço é “cara, mas você mestra para criança, eu não conseguiria” como se fosse um grande sacrifício, talvez seja mesmo, tem gente que não consegue interagir com crianças, seja por qualquer motivo que seja, eu entendo. Porém pra mim nunca foi nada sacrificante, eu sempre me divirto quando eles têm sacadas, que muitos jogadores antigos não têm e acabam se empolgando com o rpg.

Porém, devo confessar que jogar com crianças, não segue os mesmos moldes exatos que com adolescentes e adultos, então para ajudar a quem gostaria de apresentar o rpg para aquele sobrinho ou filho, ou amigos do filho, deixo aqui o que levo em conta quando jogo com os moleques e molecas.

1. OBSERVE A IDADE DA CRIANÇA


Aqui quando me refiro à idade, não significa a algo fechado e certinho, crianças não são maquinas exatas, muitas vezes elas passam por saltos de amadurecimento, muitas vezes comportamentos se perduram por longos períodos. Por isso é importante, verificar se a linguagem que você usa está adequada, isso significa, que para as mais novas, as histórias precisam ser mais objetivas, com histórias mais direcionadas.

Além disso, existe ainda o tempo de atenção que cada idade consegue reter durante um determinado tempo, crianças com menos de 7 anos, olha bem que estou generalizando e muito aqui, conseguem ficar focadas de 15 a 30 minutos, se a história conseguir envolver talvez até uns 45 minutos. O que significa que ao pensar uma aventura para esse público, você deve pensar na duração que ela terá.

Crianças a partir dos 8 anos, conseguem ter mais atenção, por isso, eles podem ter histórias mais longas, de uma a duas horas, caso consigam se envolver, até mais. A partir dessa idade, as histórias já podem ser mais complexas e com mais subjetividade, dependendo da idade até mesmo enigmas mais complexos.

Também deve se observar ao tipo de violência que você está narrando, não existe necessidade de você fazer descrições de braços amputados, e estômagos abertos, principalmente em eventos abertos ao público. Claro que dentro de casa, se você está mestrando para seu filho, você sabe o que é melhor, porém quando for lidar com o filho de outra pessoa, você deve entender que nem todos possuem as mesmas opiniões.

16265313_10212085528357733_5735723913596872323_n2. NÃO TRATE CRIANÇAS COMO IDIOTAS


Algo muito comum, que vejo alguns adultos fazerem é o de tratarem crianças de como se fossem naturalmente burras, isso sinceramente me tira do sério, ainda mais quando o assunto é de conhecimento comum para os adultos, não é porque VOCÊ conhece algo que isso lhe dá o direito de menosprezar os outros, ainda mais quando se trata de crianças.

Elas possuem um senso comum próprio, por isso ao ver que o que você está descrevendo e a criança não consegue entender, use imagens ou compare a elementos do dia a dia da criança, isso aproxima e facilita a sua compreensão, imagens também parecem aumentar o engajamento, eu nunca usei miniaturas, mesmo de papel, mas fico imaginando como isso afetaria o envolvimento delas.

3. MODERE A IDEIA, MAS NÃO IGNORE A CONTRIBUIÇÃO DA CRIANÇA!


E muito comum no RPG, os mestres criarem tudo, cada npc, cada vilão, cada passo que ira se desenrolar na aventura, sem nunca desviar do foco. Eu acredito que você ainda pode planejar vilões, histórias e npcs, mas sempre esteja preparado para acrescentar as contribuições das crianças. As vezes, o herói que você criou na verdade não lança raios de fogo, mas sim de gelo negro, as vezes o vilão só era mal, por que ninguém gostava dele e ele não tinha amigos, e o jogador só quer ser amigo dele. Sim, já vi isso acontecer.

Estimule a criatividade e você verá que não irá se arrepender, ainda mais na medida em que elas vão se soltando, mais e mais elas contribuem e ampliam a história.

postura_crianca4. CUIDADO COM O QUE VOCÊ FALA…


Essa parte só se refere mesmo, se você ira mestrar para estranhos em eventos, seja para editoras ou não, alguns pais, podem se ofender com algum palavrão, e claro de novo não custa nada lembrar, cuidado ao tratar elementos como violência, até mesmo assuntos como preconceito devem ser bem pensados antes de discutidos em uma mesa.

Bem, acredito que esses seriam os pontos principais, que levo em consideração ao mestrar para as crianças, caso você possua alguma sugestão ou dúvida, deixe-nos saber, você pode colocar nos comentários abaixo, ou ainda mandar mensagens para a página do Velho Crânio.

Até uma próxima, bons jogos e vamos rolar os dados!

Jonata Sodre
Um amante de Historias e de RPG.